| SURF GELADO: CHRISTIAN MOUTINHO SE DÁ BEM NO CANADÁ
Numa entrevista exclusiva para o Ricosurf.com, o brasileiro, que treinou nomes como Heitor Alves e Marcelo Trekinho, conta como conseguiu patrocínio e se profissionalizou como atleta nas águas geladas da América do Norte. Confira também a galeria!
O atleta, que está no Brasil para se recuperar de um grave acidente que sofreu no México, casou e decidiu morar no país de sua esposa em 2005. Lá ele conheceu excelentes ondas e chamou tanta atenção dentro d’água, que um dia foi convidado a fazer parte da equipe de uma mega empresa do esporte.
Leia a entrevista e saiba também qual a força do esporte naquele país, como os canadenses enxergam os surfistas brasileiros e o que ele tem a dizer a quem deseja tentar a sorte fora do Barsil. É vestir o longjohn e botar para baixo nas águas geladas do território “lá de cima”!
Carlos Matias - Quais as principais ondas do país?
Christian Moutinho - Existem boas ondas na costa leste e oeste. Inúmeros point breaks na costa leste do país que o mundo nem imagina que podem ser surfados e na costa oeste, existem boas ondas com características de reef break e point break, assim como muitas ondas inexploradas.
Qual pico que você mais gosta?
Gosto muito de uma onda q se chama ‘Minutes’ na costa leste. O próprio nome já descreve a onda.
Quais os melhores meses para o surf?
O surf rola o ano inteiro, mas no inverno é quando as grandes ondulações atingem ambas as costas.
Como é o crowd?
O crowd é formado de muitos surfistas que estão iniciando no esporte, porém, o país tem muitas pessoas que já surfam nestas áreas desde a década de 70.
Qual é o nível de surf dos canadenses?
Existe uma nova geração que vem evoluindo bastante com as oportunidades que a mídia e o próprio cenário do surf moderno propicia. Filmes, revistas entre outros meios de comunicação trazem toda a informação e estímulo para a evolução do esporte. O canadense, em geral, ainda tem muito a evoluir, porém os irmãos Bruhweiller, Pete Devreis, Noah Cohen , Leah Oke, entre outros, já tem um surf que considero top no meio mundial.
Qual a opinião dos canadenses em relação ao surf brasileiro?
O brasileiro tem fama de fominha em muitos lugares do mundo e até mesmo no próprio Canadá. Porém, os grandes talentos que o Brasil tem falam mais alto e criam uma reputação positiva no quesito performance.
Existem muitas competições?
No país existem somente algumas competições anuais e muitos atletas têm que se deslocar para os EUA para competir com mais frequência. A Rip Curl promove um evento que se chama Rip Curl Stew, que é realizado em Tofino e distribui 20 mil dólares em prêmios. A Billabong também produz um grande evento na costa leste com premiação em dinheiro e a Volcom o Beaverfish, assim como algumas outras competições locais acontecem no pais.
Você era profissional aqui no Brasil?
No Brasil competi quando garoto e sempre me interessei bastante pelo surf. Me formei em Educação Física e treinamento desportivo, onde iniciei trabalhos com muitos atletas que hoje estão representando o Brasil com muita raça. Nomes como Heitor Alves, Yuri Sodré, Marcelo Trekinho, Pedro Scooby, Kiron Jabour, Geronimo Vargas, Felipe Cesarano(Gordo), Simão Romão, Hugo Bittencourt, Lucas Silveira, Maya Gabeira, Danilo Grillo, entre outros que no momento não me vem a cabeça. Foram muitas horas de dedicação e amizade. Tenho muito orgulho dessa galera. São como uma família para mim.
Como surgiu a oportunidade de se profissionalizar no Canadá?
Surgiu de uma forma legal, onde em uma das caídas que estava dando em um pico desconhecido, o atual team manager da Rip curl me ofereceu um patrocínio muito motivador e com eles estou há três anos. A Marca Sitka Surfboards, que quando cheguei era pequena no Canadá, também me ofereceu umas pranchas. Fiquei muito amarradão e aceitei trabalhar com humildade para eles que hoje em dia estão conquistando um grande espaço no meio do surf e fashion mundial. A marca Electric também me dá um apoio muito legal.
Em 2008 você sofreu um grave acidente no México. Como foi?
Cara, foi brabo. Gosto muito de entubar e realizar manobras de borda, porém, na pilha dos amigos, estava tentando uns aéreos, o que acabou me levando a uma fratura em espiral, uma placa na perna e 12 parafusos. O médico havia me dado 12 meses para poder voltar a surfar e se passaram seis. Graças a Deus estou de volta a água. Graças a muita força de vontade estou voltando ao rip rapidamente. Com ajuda do meu fisioterapeuta Bernardo Cruz e do meu personal trainer Andre Muniz, da academia X Gym, no Recreio, estou trabalhando para uma acelerada recuperação.
E como está a reabilitação?
Treino todos os dias exercícios de fisioterapia e duas vezes com acompanhamento do Dr. Bernardo. Procuro surfar com muita calma sem me exaltar nas manobras e somente sentir a prancha. Também trabalho com o professor André na academia X Gym, ralando três vezes por semana. Estou muito satisfeito com a parceria e trabalho de ambos profissionais, mas a recuperação é dura e árdua. Mas nesse momento é crucial ter um bom profissional e também muita força de vontade.
Você perdeu o patrocínio?
Por três meses a Rip curl minimizou o meu salário, mas me ajudou em outras despesas que foram bem caras. Sou muito grato por esta ajuda. A Sitka Surfboards também me deu todo o apoio necessário para a minha recuperação rápida e continua ao meu lado dando todo o suporte e a Electric Eyewear, que me apoia com óculos e acessórios, também ficou ao meu lado.
Você tem algumas viagens agendadas para esse ano e uma delas é o Tahiti. Como vai ser encarar aquela onda depois de tanto tempo fora do mar?
Então, esta viagem esta agendada para fim de maio e espero estar bem preparado para encarar estas ondas. Já viajei para muitos lugares com ondas parecidas, mas o Tahiti é único e sei que quando as ondas entrarem tentarei o meu melhor. Mas antes desta viagem estarei indo para as ilhas Nootka, onde ficarei por 15 dias treinando com a equipe da Sitka Surfboards. Toda esta preparação que estou fazendo agora com o Andre e o Dr. Bernardo me ajudará a buscar a melhor performance.
O que você, com toda experiência, pode falar para os atletas brasileiros que pretendem sair do país para buscar novas oportunidades?
Seja guerreiro e respeite o próximo. Tenha muita força de vontade e procure se rodear de pessoas positivas em sua vida, como grandes amigos e família.
Fonte: Site Ricosurf.com / Por Carlos Matias |